Manu Lafer

Músico e Compositor

Grandeza

Grandeza

Grandeza was produced by Alê Siqueira (Tribalistas, Omara Portuondo) and has a powerful percussive element together with a Brazilian signature in the lyrics. Indigenous peoples and birds (Conversa de Japí, Arapuca), snakes (A Cara Rajada da Jararaca), Portugal’s influence on Brazil (Bustrofédon, with the tune by Luiz Tatit, a palindrome songm in fact the biggest palindrome in the genre of popular Brazilian music (MPB), and inspired by the book, O crime do Padre Amaro, by Eça de Queirós) and the Africa’s influence, too (in the percussion arrangements and participation of singer Mateus Aleluia, former Tincoãs, from Cachoeira-Bahia  and Angola). Germano Mathias, who is himself praised in the composition Amigo de Garfo, performs a São Paulo samba accompanied by the legendary Edson 7 cordas from Bahia [legendary 7-string Edson]. Me, Myself and I receives a Brazilian, post-Billie Holiday version that heralds Manu’s future incursions into the American songbook. The duet of Sem Fantasia, by Chico Buarque, is recreated in Com Fantasia, together with Agda Sardenberg. This CD sees the beginning of what will be an 11-year collaboration with Lincoln Olivetti, with his masterful arrangements of A Dança and Arapuca.


Tracks

1. Pausa - (Manu Lafer)

Pausa na cabeça, só quero os tambores
Pausa dos cantores dos compositores
Anos de silêncio sopros e sopranos
Cordas, vibrafones, codas dos pianos
Pausa à toda pressa, venham palma, bumbo
Rum, pi, lé, chimbáu, e xequerê agudo
Entra a micareta no partido alto
Pausa calendário,é o carnaval de asfalto

Pausa no poente até o sol raiar
Pausa no levante até o sol quedar

Pausa sem atraso atravesse a rua
Só brasil-pandeiro cale partitura
Pausa no compasso, silencie fusa
Pausa na quiáltera que anacruza
Pausa arrase os hards dos computadores
Prosa nas baquetas dos repicadores
Pausa à toda pressa, contratempo ataque
Timbra a carne viva coro de atabaque

Pausa no poente até o sol raiar
Pausa no levante até o sol quedar


2. Conversa de Japi - (Manu Lafer com Danilo Caymmi)

Eu quero ver de um em um,
Lugar onde parente foi morar,
Em tronco, em copa alta, em buriti
O fim da minha vida é ver japi

Eu vou parar para escutar o seu tupi
Ouvir conversa mole de japi
Que nenhum japi monopoliza
Cantando sempre o mesmo som,
Que um outro interrompe ao plagiar
Coral igual, canoro e natural
Varia, a cada aldeia do meu rio

Arremeda ventre do japi
Amarelo e negro pra cobrir
Ali, ali, pena do japi (2x)


3. Grandeza - (Manu Lafer)

De modo algum essa vontade mudaria
A força bruta, ao lutar, não moveria
O sol, que brilha na ilusão da autonomia,
Porém fadado a circular em torno à filha
De esperança e de amor a terra cresce
E a imagem do cruzeiro resplandece
Na força humana, que ninguém demoveria
E o que seria do cruzeiro sem maria?

O céu esquece
De nos olhar
Mas nos parece
Acompanhar

Só mesmo a luz que cria o mundo explicaria
Do caos um raio para a terra migraria
Pra nós, de dentro viveria, entrando em órbita
Para os de fora, reta e ponto, sumiria
Como uma assíntota na crista da partícula
Ao som do alef e varrendo a apocatástase
Essa grandeza do sem-nada contraída
Sem ver estrelas que nos aconteceria?

O céu esquece
De nos olhar
Mas nos parece
Acompanhar


4. A Dança - (Manu Lafer)

Bate aberta a porta da casa
E sai, noite escura, de pobre luar
Trança os braços torto
E ganha a cidade deserta
Decide parar
Ela não tem pensamento
Não é igual nem aumento
Corpo de pele e olor

Tira a camisa, que pisa
Descalça, despida, distante do chão
Gira a saia solta
Na dança do tempo perdido
Visão, ilusão
Ela não quer companhia
Não é nem pareceria
Febre de se abandonar

Os seus cabelos grandes e loiros
Escondem metades de se adivinhar
Os ombros oblongos,
O rosto, o rastro,
As curvas que o vento cortar
Ela não tem sentimento
Não tem sorriso ou lamento
Tonta de passo e de olhar


5. Murundum - (Manu Lafer com Danilo Caymmi)

No cerrado incalculado
No grotão desembestado
Desertado, desbastado
Vi cobiça, apavorado
Vi sevícia, ensimesmado

Fui chorar, longe, no mato
Sem feitiço eu morro grato
Sem miséria, sem contato,
Sem façanha, artefato,
No sertão desamparado

Murundum, murundum (4x)

Marrombo vai rezar,
Salvar o juruá
Iara, caraíba
Mata a mata pra acabar
Paié vai se juntar,
Pegar o mamaé
Kubé, se pega queima
Mata a mata pra acabar (2x)

Murundum, murundum (4x)


6. A Cara Rajada da Jararaca - (Manu Lafer)

Ralé verá a revelar
Seiva, viés,
O revés severo.
E tremo: caias lá, verbo.
Obre valsa, ia comer-te
A cara rajada da jararaca (2x)

Se pés soam mãos,
Ela brada a dar balé
“se damo-nos só nômades
Álibi sibila”
Só me bebe e bebemos,
Só me vê e vemos.
E lia brasil a s.o.s., alisar baile
Lá é real,
Assim busca, a.c., submissa,
“aja na naja” (2x)

Aí és sido odisséia,
Ó galáxia, baixa lago
Alegrar gela,
Ar gera a regra:
Ar usual, clausura,
“o relo bem, me bolero”
A danada é madame (2x)

Amada data,
Cera é ter ré da vela:
Leva, derrete a recatada dama
Agirr abraço, coçar barriga
“sê mais siamês,
Saís sem messias”
Sopro, c.i.a., aí corpos
Ar, boca, cobra
Ego? Falácias, sai, cala, foge.

“és só?”,
Telefone neva veneno, fel e tosse
O cigarro breve
É verborrágico
“saúde, amai ó jibóia má,
Amai ó bi-jóia, má, e duas”,
A citar comédia:“ai”,
Democrática,
“é traído odiar-te” (2x)


7. Arapuca - (Manu Lafer)

Decora cantando na chuva
Trabalha no chão do chuveiro
Tem gata no teto e na tuba
Da boca botando trombone

Teu nome que não é de hoje
Que ensaia e que já toma posse
Da pose e do close da dose
De mais uma nota de osmose

Teu nome que dança quadrilha
Que anima, esmerilha e socorre
Da pose e do close da dose
De mais uma nota de osmose

Assim, não se afoba e não mexe
O rabo do gato te envolve
O pé te formiga e agora?
A luz some com microfone

Na voz de glicose
Que brinca na ducha de brinco e lá vém
A conta de água gaúcha lá vém
Ela é mais ela é mais uma
A glória da banda que estoura
A banda dissolve e resolve
Se manda no fim da semana

Tem arapuca na sapucaí
Tolera a pulga dessa culpa aí (2x)


8. Com Fantasia - (Manu Lafer)

Ele:
Fantasiar não é sonhar
Já sonhar
É a noite acabando
Não é pra crer,
Nem é pra ter
Faça tudo agora
Para mim,
Na madrugada,
Sem porquê
Você vai acontecer
Eu não quero amanhecer
Porque eu te quero
E nada mais

Ela:
Você
Por quê me quis?
Destino?
Vida?
Fala!
Você vai jurar
Deixar de sonhar
Não é você.
Só nós dois
Sabemos
O que nos fazemos
Para a madrugada
Acordar mais tarde


9. Martha - (Manu Lafer)

Eu trago seus olhos na minha cabeça
Eu trago seus olhos na minha cabeça
Que nem fantasia, bonita, apareça
Adoro ouvir você falar
Por cima do salto e atrás do balcão
Essa mulher é um avião
Você era aeromoça, você era enfermeira
Você era ascensorista, você era dançarina
Martha, você é tanta coisa pra mim
Martha, você me mata

Eu trago seus olhos na minha cabeça
Eu trago seus olhos na minha cabeça
Que nem fantasia, bonita, apareça
Adoro ouvir você falar
Por cima do gloss e atrás do batom
Que trabalhou de sol a sol
Vi você toda de branco, vi você toda de preto
Mas você sem cor nenhuma poderia ser modelo
Martha, você é tanta coisa pra mim
Martha, você maltrata


10. Me, Myself and I - (I Gordon, A Roberts, A Kaufman)

Me, myself and i
Are all in love with you
We just think you’re wonderful, we do
Me, myself and i
Have all a point of view
We just think there’s nothing else like you

It can’t be denied
You’ve brought the sun to us
We’d be satisfied, dear
If you’d belong to one of us

If you pass me by
Three hearts will break in two
For me, myself and i
Are all in love with you


11. Amigo de Garfo - (Manu Lafer)

Se o sua morada não fosse do bruno
Se a danada da yvone não soubesse cozinhar
Se o mati não soubesse latir
E se você não soubesse cantar
Você acha que eu vinha te visitar? (2x)

Traz o garfo e o prato,
Traz os sambas do caco
Faz um filé de bule pra nos acompanhar
E agora rebola esse queixo
Rebola que eu deixo você rebolar (2x)


12. Sem Letra - (Manu Lafer)

Vai, sem letra, vai
Vai, sem medo, vai
Vai, que eu te amo, vai
Vai cantar haicai

13. Física - (Manu Lafer)

Uma de nós é você
Em nós dois somos um
Outra, uma
Uma, um
Tempo de encontro
Sem nó e sem ponto
E sem outra que outro não possa
No ponto do tempo
No tempo do ponto
Ao contrário encontrar
Ao contrário, encontrar
Ao contrário, encontrar

Uma das suas sou eu
Em nós dois somos um
Outra, uma
Uma, um
Tempo do junto
Num voz, noutro assunto
No tudo do junto
Nem voz, nem assunto
No pronto do junto
No junto do pronto
Abraçava abraçar
Abraçava, abraçar
Abraçava, abraçar
Abraçava, abraçar

Dois corpos
Podem ocupar
Tempo e lugar
Vem cá desafiar
As leis da física


14. Bustrofédon (crime e amor do padre gordo bêbado e da portuguesa sarada) - (Manu Lafer com Luiz Tatit)

Sacarose é mulher: a interessam a duplo!
Par, a carta, o mongo, o caso, arrota sopa.
“aí! Decide, potro: a ti, miojo novo!”
Ácido: “é tímida?! Má! Purga aí você, moça!”
Raro o dá gelo, alucina cá
“avoado ajo? Gamo? Ótimo!”
Ia colar?
A musa da luza a ter parece o azar,
À buceta só dá babacas
Ato carne, telogo, a cagada
“a gordo goro, ele padreh , o demo da maçã!”
A do barriga :
“ardem só tapas rezar-te”
“a ti dure a nula abóbora , fé à penca!”
“a dá-la os nós, me aperto, o luto roça! Ar!
Gaivota! Retroceder a mil, o turbo!”
Rola colo? Ré.
“animal! É tatibitate!”
“reviver ôca boca, lábio, e tomar-te!”
E logo o mote: “amar, gana? Amargor porém”
“só? Nem? Ah…darás!!

Missa é em latim, e rala declama
Reverta o réu que eu quero atrever
A mal ceda lá, ré, mi, tal me é assim
Saradha ? Menos, mero programa…”
(anagrama)
“e tomo o gole e tramo-te:
Oi! Balacobaco reviver! “é tatibitate”?!
Lâmina! É rolo ? Calor!”
O bruto! Lima! Rede! Corte!
“rato!”
“viagra! Aço!”
Rótulo: “o trepa em sonso/alada”
“acne, pá! É faro, boba aluna erudita!”
E trazer sapatos medra agir
Rabo dá.
A cama do medo herda pele,
O “rogo droga”,
Adaga cá, o gole, tenra cota
Saca babados até cuba razão
E, cera preta, azulada, suma ralo
Cai o mito!
O mago, já o da ova, a canícula,
O legado, orar, a começo via.
Agrupam, adimite-o dica: “ovo, nojo!”
Imita ortopedice
Dia após, a torra o saco o gnomo,
Atraca rã polpuda.
Mas ser etnia, rehlume , e só raças.



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