Manu Lafer

Músico e Compositor

Baião da Flor

Baião da Flor

Release by Luiz Tatit

Manu Mindlin’s debut CD, Baião da Flor, seems to emerge from the heart of Brazilian music, putting on show the best of what it has to offer. The track that lends its name to the album confirms this vigorous connection between the composer and the mosaic of works, genres and characters that translate the bounty of the country’s creative style.
 This is no common work. Although very young, Manu has had time to wander the landscape of Brazilian music, covering all its eras and branches, as well as produce a vast repertoire of songs. This means that the 12 tracks selected for the album exhibit a degree of refinement normally only available to composers at the peak of their careers. That is the lasting impression after taking in the whole album.
It is not just the song Baião da Flor that is impeccable. Listeners also experience moments of rare aesthetic pleasure through Coração Brasileiro and Deusa Densa. The first employs a melodic profile from Brazilian modinha to expose romantic near misses in places and with characters laden with indigenous culture. A delicate alliteration with the vowel “i” aligns the verses from end to end, transferring the unit of content to the audio plane, too. The second describes the conversion of the ethereal element associated with the notion of “goddess” into something corporeal, dense and humanized that, despite maintaining balance, manifests its joy, pain and desires. Once more, the work of a poet with the rhymes, in the sense of producing the same sonorous densification effect, is admirable.
Manu’s CD can also be listened to as a refined sample of the rhythmical diversity that composes Brazil’s popular music, from the traditional models, such as baião, samba, marches or bossa nova, through which he slips through masterfully, to the hybrid, already infused forms of blues, rock and funk.  Furthermore, this journey through genres also presents some simple and effective solutions. Such is the case with Poeira do Som, which kicks off the album with a gleeful, almost circus-like vibe, suggesting a march while at the same time inviting us to enjoy the changes in tone and plays on words. In the same way, it is paradoxically able to base itself, without repetition, on a chorus that is catchy, to dance to, even – doubtlessly counting on a bodily reaction in the listener –, but without dispensing with unexpected interventions like a berimbau reinforcing the rhythm.
All this creative force is given even more value by the work of arrangers Alê Siqueira and Leandro Bomfim, who were also responsible for the mixing on the tracks and knew how to artfully choose and measure the participation of the instrumental timbres in the sense of highlighting what each composition has to say.
Finally, a generous toast by Manu Mindlin to the tough, concrete poetry of São Paulo. The songwriter lets loose with a special samba-baião for the voice of the legendary Germano Mathias: Vou Te Pegar. The samba maestro delights in his interpretation and makes the most of the opportunity to return to the São Paulo music scene with a grand entrance.


Tracks

1. Poeira do Som - (Manu Mindlin)

Prazer, sou eu
Você será?
Virei, você
Você, virá?

Virei no carnaval
Pular
Pular para parar
No ar

O que hoje te deu?
Não dá
Que foi que aconteceu?
Não há

E lá na multidão
Sumindo, eu não fico, eu não vou
O pó do mundo veio
Poeira do povo e do som


2. Corrigindo - (Manu Mindlin)

Você tem fantasias
Mais que os dias de sonhar
Você tem mais sorrisos
Do que eu possa me alegrar

Você é mais serena
Do que venha estremecer
Ainda é mais sincera
Que o seu jeito de escrever

E não é mais a mesma
Quando tem que decidir
Você nem sempre acerta
E nunca vi me corrigir

Por isso
Nunca te esqueças
Sempre preciso estar com você
Se mesmo quando eu te deixo

Também me deixe
A dor de viver
Um dia eu conheci
Uma menina que eu perdi
Por não acreditar
No que sentia eu não senti

Da cor dos teus os dela
Eram olhos de partir
Não só, mas inseguro,
Nos teus óculos não vi

Que eu quis essa menina
E foi você que conheci
Se eu perco a minha amiga
Desconheço o que não vi


3. Baião da Flor - (Manu Mindlin)

Fugir do lado da lei
Fingir de rei do baião
Se perguntarem, eu vi
A pedra fundamental
Quando essa pedra de toque tocou
E tocou, e tocou, e tocou, e tocou

Gonzaga gênio da roça
O que será desse som?
É cume e gume da flora
É cima e lima da flor
De cubaião a baioque
Oba-lá lá, alalaô
Si manda, mora patropi
Em violão ou em pop
Intimidade coloque em amor
Em amor, em amor, em amor, em amor

Mas tudo ocorre ao acaso
E assim bahia é brasil
Acaso ali juazeiro
Onde é bahia é brasil
Onde o artista estiver,
O povo tem que ir atrás
Eu pra profeta não dou,
Na minha terra não sou
No meu lugar é que o bode sangrou
Sangrou, e sangrou, e sangrou, e sangrou

Existiria a verdade,
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo,
No mundo iguais a você
De corações, sul a norte
Até chuí de oiapoque
Adentro “status quo”,
Afora “sine qua non”,
Me chame agora que eu digo: eu já vou
Eu já vou, eu já vou, eu já vou, eu já vou

Homem do mundo e do quarto
Que o rei roberto imitou
Dora cafuza, caymmi
Am, maracatu
Ouvimos num repeteco:
Eu não sou santo, favor
Rock, iê-iê, o que for
Onde iêiê-okê for
Basta o quereres a mim como eu sou
Como eu sou, como eu sou, como eu sou, como eu sou,

É sina e minas da flor não mudo de opinião
De quatro flores o trevo
Odara, nara leão
E quem te viu não te vê
Mulata, índia, inaiê
Camélia, rosa e amélia
Olhos nos olhos orfeu
E tudo se transformou…não fui eu
Não fui eu, não fui eu, não fui eu, não fui eu

Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
Basta solar nazareth,
Basta o luar do sertão
Jiló com j ou com g
É suma e sumo da flor
E outro do nascimento
Em cio da terra vingou
E foi brilhando, brilhando…e brilhou
E brilhou, e brilhou, e brilhou, e brilhou

Tão linda assim, nem a flor existe nem mesmo amor
É sabiá, carcará
E foi um rio que passou
Cabocla, demônio mau
Tô triste como urutau eu vi formar beberibe
O mar com capibaribe
E vai passar, vai passar…já passou
Já passou, já passou, já passou, já passou


4. Depressa Amor - (Manu Mindlin)

Depressa, amor
Que o mundo cansa
De esperar
Depressa, amor
Veja a vida
Não como ela está
Depressa,
Que é você quem vai chegar
Depressa,
Que sei quem você será

Depressa, amor
Tudo azul,
Ou tudo rosa já
Depressa, amor
Preto e branco
Só se for filmar
Depressa,
Que é tempo de passar
O tempo desse mundo
Quem sonhar


5. Onde Você Está? - (Manu Mindlin)

Sim, eu vou cuidar de mim
Quando a manhã
Deslizar sobre a noite
Que não tem mais fim

Sim, sou eu quem vai chorar
O que restou
Da promessa de amor
Que se perdeu no ar

As estrelas e o luar
Ao meu redor
São a sombra maior
Do amor que eu vi morrer
Onde está você,
Que eu não posso ver?

Sim, eu vou cuidar de mim
Pra te mostrar dessa vez
Que na vida
Eu não fui fraco assim

Sim, lá fora e mesmo aqui
Há um sinal
De que o amor é capaz
De se modificar

As estrelas e o luar
Ao meu redor
São a luz dos teus olhos
Sempre a me dizer
Onde está você,
Que eu não posso ver?


6. Eu Vou te Pegar - (Manu Mindlin)

Eu fui dançar, atrás do meu amor
O meu amor saiu à noite
Foi colorida pra boate
Eu fui atrás dessa mulher
Numa pista de dança
Ela viu, me distraiu,
Fugiu lá pra cozinha
Pulou uma janela escondidinha

Eu fui pra rua, atrás do meu amor
O meu amor olhava sempre,
Mudava logo de calçada
Eu fui atrás dessa mulher
Num beco sem saída
Ela era o meu sorriso
Em grito em flor florida
Subiu numa escada em caracol

Comi degrau, atrás do meu amor
O meu amor atravessava
A sala de entrada
Eu nem vi que eu estava ali
Que aquilo era uma casa,
Eu nem vi que eu estava ali,
Num quarto decorado
Lençol, lençol e cobertor

Eu vou te pegar,
Vou te pegar
E nunca mais ficar sozinho


7. Coração Brasileiro - (Manu Mindlin)

Araguaia, taquari
Maicuru, sucunduri
De justina ao tocantins
Em te ver eu não te vi
E ao chegar me despedi

São francisco, uaupés
Fiz com célia o solimões
Palma, doce, piquiri
Eu também te vi beijar
Teu gostar fugir de mim

Piraju, pirajuí
Pra joana, piraí
Pra marcela, alô brasil
Com presentes te cobri
Com desculpas te perdi

Curitiba, ibiaí
Preto, pardo, ribeirão
Vila, porto, clara não
Igapós, igarapés
No vazio de mãos e pés

Por que eu fui nascer assim?
Luciara, araguari
Araucária, aracati
Nipuã, onde eu te quis
Sem marluce, imperatriz

Rubelita, guaraci
Tapa olho, teuni
Ariquemes, cambuí
Rio, lutécia, jataí
Dessa vez não prometi
Mas eu acho que cumpri


8. Nascimento - (Manu Mindlin)

Como o amor dos nossos pais,
Que nasceu pra viver,
E nasceu pra morrer
Nosso amor,
Também vai viver
Também vai viver,
Também vai viver

Vai nos dar a ilusão de escolher
Porque nosso amor
Nasceu pra nascer
Vai nos dar a lição de nos ter
Porque nosso amor,
Nasceu pra você

Nossos ais, nossos pais do querer
Nosso amor, o nosso sofrer
Sofrer sem sofrer
Morrer sem morrer
Até conseguir, até sem querer,
Até seu eu morrer,
Até no amor
Viver por você


9. Deusa Densa - (Manu Mindlin)

Deusa
Mas deusa densa
De véu, de luz
E consistência
Que beija e pensa
Que roça e prensa
De unha mansa
Fúria suspensa

Deusa
Mas deusa densa
De carne, osso
E transparência
Que é como um crime
Que me compensa
Que não planeja
Que prende e deixa

É densa e deusa
Curva e tesa
E eu da promessa
À displicência
Que riso, deusa!
Prosa e proeza
Pressa e paciência

Deusa
Mas deusa densa
Que não aceita
Interferência
Que quando sofre
É a natureza
Esquece e mexe
Sem choro ou queixa



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