Manu Lafer

Músico e Compositor

Grandeza

Grandeza

Primeiro álbum de uma trilogia, Grandeza foi produzido por Alê Siqueira (Tribalistas, Omara Portuondo), tendo um forte elemento percussivo e uma assinatura brasileira também nas letras. Índios e pássaros (Conversa de Japí, Arapuca), cobras (A Cara Rajada da Jararaca), nossa influência portuguesa (Bustrofédon, musicada por Luiz Tatit, o maior palíndromo da MPB, inspirado em O crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós) e africana (nos arranjos de percussão e na participação do cantor Mateus Aleluia, ex-Tincoãs, de Cachoeira e Angola). O homenageado de Amigo de Garfo, Germano Mathias, faz um samba paulista acompanhado pelo lendário Edson 7 cordas. Me, Myself and I recebe uma versão brasileira pós Billie Holiday e prenuncia as futuras incursões de Manu no American Songbook. O dueto de Sem Fantasia, de Chico Buarque, é recriado em Com Fantasia, com Agda Sardenberg. Manu inaugura neste CD a colaboração de 11 anos com Lincoln Olivetti, que fez os magistrais arranjos de A Dança e Arapuca.

Release por Caio Silveira Ramos

Palíndromos, labirintos, jogos de esconder, de espelhos e sombras, cabras-cegas, trucos e truques: em Grandeza (Trattore), seu terceiro CD solo (há também o antológico O Patriota, disco em parceria com Danilo Caymmi), Manu Lafer atinge a plena maturidade musical através da absorção de universos lúdicos e mostra que seus pacientes – médico de curumins e pequenos caraíbas que é – lhe ensinaram muito mais que todos os segredos da cura. Para eles (e para Manu também), brincar é uma surpreendente e bem-humorada coisa séria.
Para construir seu repertório, Manu saiu por aí emprestando brinquedos e quebra-cabeças tanto de Jorge Luis Borges e Julio Cortázar quanto de Chico Buarque e Germano Mathias. Mas é de uma referência não explicitada que Manu Lafer parece forjar a linha que amarra todas as faixas: o escritor Ítalo Calvino. Pois tal qual o inesquecível Visconde de Terralba, o compositor e cantor se parte ao meio e faz do jogo de duplos a unidade de seu CD (por mais contraditório que isso possa parecer).
Contradições aparentes são o que não falta no disco, que começa, vejam só, com a canção Pausa, que proclama a recusa da música através da própria música, radicalizando as ideias de Paulinho da Viola em Coisas do Mundo Minha Nega (“tentar fazer em teus braços um samba puro de amor, sem melodia ou palavra pra não perder o valor”) e Caetano Veloso em Pra Ninguém (“melhor do que o silêncio só João”). Aliás um outro ícone carioca amanhece na primeira faixa do disco e passarinheira pelo CD todo: João de Barro, o Braguinha, que através do antigo sucesso Tem Marujo no Samba, renascido pela profundeza das vozes de Tata Monalê e das Filhas de Izaze (Cota Deressy, Cota Deressú, Cota Itarandá), abre alas para a Pausa de Manu Lafer e faz referência aos tambores da Mangueira e sua marcação única.
Embora uma composição de João de Barro (Tem Gato na Tuba, outra parceria com o homeopata Alberto Ribeiro) seja explicitamente evocada no frevo Arapuca, a faixa-irmã de Pausa é Sem Letra, na qual ironicamente Manu procura negar a necessidade da letra, através de uma melodia cantada (docemente por Poliana Monteiro e a Banda de Boca) em quatro versos, o que significa que a menção ao haicai do último verso não remete à letra-poema que dá base à canção, mas à etimologia da palavra japonesa haiku, formada de hai (“brincadeira”) e ku (“frase, verso”). De fato, Manu já começou a espalhar seus brinquedos pela sala de visita.
Em Conversa de Japi (parceria com Danilo Caymmi), com arranjos de Alê Siqueira (produtor musical de todo o CD) e Dori Caymmi, a pausa nem bem se foi, já volta, mas agora se para para escutar o seu tupi/ ouvir conversa mole de japi/ que nenhum japi monopoliza/ cantando sempre o mesmo som/ que um outro interrompe ao plagiar. Morte, renascimento e liberdade se confundem na canção tristíssima que proclama o canto do pássaro generoso que compartilha seu canto. Se é inevitável a comparação com a canção-irmã Arapuca, frevo brincalhão de palavras e duplos – ela é mais ela é mais uma – a relação entre faixas remete aos clássicos Asa Branca (sobre um pássaro livre que foge da seca) e Assum-Preto (sobre um pássaro preso, cegado pra poder cantar melhor), ambos de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Invertendo os opostos, Lafer traz seu Japi cantando livre (mas dolorosamente) na mata, enquanto dentro da arapuca parece dançar, em tom maior (e com suingante interpretação de Josyane Melo), uma colorida sombrinha antonionobreguiante debaixo do chuveiro.
Espelhos são também a borgiana Grandeza e a rosiana Murundum, faixas que se opõem e se completam: numa o sexo vital, noutra o vício; a criação e a morte; o infinito e o fim, o caos e a cosmos, o Alef e meu Tio o Iauaretê. Manu leva a risca a missão proposta em Grandeza e varre a apocatástase (como bom médico que é, Lafer nos recomenda a leitura da bula do encarte que transforma o palavrão citado em “a posição original dos astros no momento da Criação do Universo”): chutando estrelas e estilos, o compositor que propôs a pausa e a não-palavra, agora exorta o bailado em A Dança e Amigo de Garfo e não abre mão de sua alma partida ao meio.
Se em A Dança – estupenda canção com sons de origem judaica banhados no leste europeu (em arranjo surpreendente de Lincoln Olivetti) – o movimento seduz e aprisiona, em Amigo de Garfo ele é a senha para a libertação. No único samba do CD, Manu Lafer simula uma interesseira visita à casa de Germano Mathias, mas curiosamente, na primeira parte da música, ele permite que o sambista – brincador de sílabas cantadas – participe do seu jogo de duplos: Germano assume a pele de Manu e provoca a si próprio. Na segunda parte do samba, Germano/Manu invoca o seu próprio mentor, o gaúcho Caco Velho, se desgruda de Lafer e permite que o autor do samba se liberte: e agora rebola esse queixo, rebola que eu deixo você rebolar. E Mathias mostra que gostou da brincadeira e improvisa um troca-letras gastronômico no final, ô, Manu, que tal esse prato aí? Pirão de feijado com ligüifrita güiça.
Nas faixas A Cara Rajada da Jararaca e Bustrofédon (Crime e Amor do Padre Bêbado Gordo e da Portuguesa Sarada)” (essa com melodia de Luiz Tatit), Manu leva o jogo de palavras proposto por Mathias ao extremo e constrói duas canções germanas (perdão, o trocadilho infame é inevitável). Se em A Cara Rajada da Jararaca, Ná Ozzetti (formidável, trocando de voz, como quem troca de pele) destila suave e dolorosa angústia para um rol de cobras e de palíndromos do naipe de é traído odiar-te, em Bustrofédon, todo o poema, se lido de trás-para-frente, forma um gigantesco palíndromo (o primeiro verso é o inverso do último e assim por diante), que, decifrado pelo subtítulo, faz brotar imagens inusitadas. Aqui o jogo de duplos extrapola os versos da canção e atinge o cantor escolhido por Lafer para descaroçar Bustrofédon: Marcelo Pretto é herdeiro, como Germano Mathias, da presença cênica e do canto sincopado de Caco Velho, Jackson do Pandeiro e Manezinho Araújo. Se há a jovialidade de Germano Mathias, Marcelo Pretto é irremediavelmente novo na sua busca pelos cantos ancestrais. Se Manu é jovem criador, conhecedor da linguagem das matas de quinhentos anos, João de Barro é o mais antigo compositor popular brasileiro vivo, embora seus olhos sejam ainda tão buliçosos quanto nos tempos do Bando de Tangarás.
Mas o brinquedo continua e Lafer agora quer aumentar o jogo de espelhos e embala no mesmo pacote os pares Com Fantasia e Física, e Me, Myself and I e Martha. Com Fantasia (faixa cantada em perfeita sintonia entre Manu e Agda Sardemberg) evoca no título, na forma e no canto a canção Sem Fantasia de Chico Buarque. Já a magistral Física, que parte de uma ideia de Julio Cortázar, arrebata o diálogo de Com Fantasia transformando-o em uma de nós é você/ em nós dois somos um. Se em Física dois corpos podem ocupar tempo e lugar/ vem cá desafiar as leis da física, em Me, Myself and I, essa ideia assume contornos ainda mais incontíveis. Sucesso na voz de Billie Holiday, a canção de amor feita por três autores triparte o dividido Manu na busca do amor integral. Sobrepondo as vozes, Lafer encontra em uma de suas maiores referências o caminho para jogar sem medo: João Gilberto. Mas, se em Me, Myself and I Manu se retalha para amar melhor, em Martha ele permite que a amada se multiplique e se metamorfoseie para que possa repetir insistentemente o verso eu trago seus olhos na minha cabeça, que, se de um lado revela a fixação do poeta pela mulher, pode significar – a volta do jogo de duplos – o querer ver o mundo através dela.
Por essas e outras pode-se afirmar desde já que Grandeza é um dos melhores CDs nacionais deste início do século e que, definitivamente, Manu Lafer está inserido entre os mais criativos compositores brasileiros atuais. Ainda que termos pernósticos como disco conceitual possam ser utilizados para classificar Grandeza, Lafer vai desde já dispensando rótulos e se impõe pela particularidade de seu canto e de sua música. Mesmo que outras relações possam ser estabelecidas entre as faixas, o vigor poético e melódico de canções como Pausa, Conversa de Japi, A Dança, Física e a própria canção-título Grandeza, ainda que destacadas de seu conjunto, independe de explicações, bulas ou notas de rodapé. Que todos os jogos, todas as referências, todos os espelhos sejam quebrados.

Faixas
1. Pausa - (Manu Lafer)
Pausa na cabeça, só quero os tambores
Pausa dos cantores dos compositores
Anos de silêncio sopros e sopranos
Cordas, vibrafones, codas dos pianos
Pausa à toda pressa, venham palma, bumbo
Rum, pi, lé, chimbáu, e xequerê agudo
Entra a micareta no partido alto
Pausa calendário,é o carnaval de asfalto

Pausa no poente até o sol raiar
Pausa no levante até o sol quedar

Pausa sem atraso atravesse a rua
Só brasil-pandeiro cale partitura
Pausa no compasso, silencie fusa
Pausa na quiáltera que anacruza
Pausa arrase os hards dos computadores
Prosa nas baquetas dos repicadores
Pausa à toda pressa, contratempo ataque
Timbra a carne viva coro de atabaque

Pausa no poente até o sol raiar
Pausa no levante até o sol quedar

2. Conversa de Japi - (Manu Lafer com Danilo Caymmi)
Eu quero ver de um em um,
Lugar onde parente foi morar,
Em tronco, em copa alta, em buriti
O fim da minha vida é ver japi

Eu vou parar para escutar o seu tupi
Ouvir conversa mole de japi
Que nenhum japi monopoliza
Cantando sempre o mesmo som,
Que um outro interrompe ao plagiar
Coral igual, canoro e natural
Varia, a cada aldeia do meu rio

Arremeda ventre do japi
Amarelo e negro pra cobrir
Ali, ali, pena do japi (2x)

3. Grandeza - (Manu Lafer)
De modo algum essa vontade mudaria
A força bruta, ao lutar, não moveria
O sol, que brilha na ilusão da autonomia,
Porém fadado a circular em torno à filha
De esperança e de amor a terra cresce
E a imagem do cruzeiro resplandece
Na força humana, que ninguém demoveria
E o que seria do cruzeiro sem maria?

O céu esquece
De nos olhar
Mas nos parece
Acompanhar

Só mesmo a luz que cria o mundo explicaria
Do caos um raio para a terra migraria
Pra nós, de dentro viveria, entrando em órbita
Para os de fora, reta e ponto, sumiria
Como uma assíntota na crista da partícula
Ao som do alef e varrendo a apocatástase
Essa grandeza do sem-nada contraída
Sem ver estrelas que nos aconteceria?

O céu esquece
De nos olhar
Mas nos parece
Acompanhar

4. A Dança - (Manu Lafer)
Bate aberta a porta da casa
E sai, noite escura, de pobre luar
Trança os braços torto
E ganha a cidade deserta
Decide parar
Ela não tem pensamento
Não é igual nem aumento
Corpo de pele e olor

Tira a camisa, que pisa
Descalça, despida, distante do chão
Gira a saia solta
Na dança do tempo perdido
Visão, ilusão
Ela não quer companhia
Não é nem pareceria
Febre de se abandonar

Os seus cabelos grandes e loiros
Escondem metades de se adivinhar
Os ombros oblongos,
O rosto, o rastro,
As curvas que o vento cortar
Ela não tem sentimento
Não tem sorriso ou lamento
Tonta de passo e de olhar

5. Murundum - (Manu Lafer com Danilo Caymmi)
No cerrado incalculado
No grotão desembestado
Desertado, desbastado
Vi cobiça, apavorado
Vi sevícia, ensimesmado

Fui chorar, longe, no mato
Sem feitiço eu morro grato
Sem miséria, sem contato,
Sem façanha, artefato,
No sertão desamparado

Murundum, murundum (4x)

Marrombo vai rezar,
Salvar o juruá
Iara, caraíba
Mata a mata pra acabar
Paié vai se juntar,
Pegar o mamaé
Kubé, se pega queima
Mata a mata pra acabar (2x)

Murundum, murundum (4x)

6. A Cara Rajada da Jararaca - (Manu Lafer)
Ralé verá a revelar
Seiva, viés,
O revés severo.
E tremo: caias lá, verbo.
Obre valsa, ia comer-te
A cara rajada da jararaca (2x)

Se pés soam mãos,
Ela brada a dar balé
“se damo-nos só nômades
Álibi sibila”
Só me bebe e bebemos,
Só me vê e vemos.
E lia brasil a s.o.s., alisar baile
Lá é real,
Assim busca, a.c., submissa,
“aja na naja” (2x)

Aí és sido odisséia,
Ó galáxia, baixa lago
Alegrar gela,
Ar gera a regra:
Ar usual, clausura,
“o relo bem, me bolero”
A danada é madame (2x)

Amada data,
Cera é ter ré da vela:
Leva, derrete a recatada dama
Agirr abraço, coçar barriga
“sê mais siamês,
Saís sem messias”
Sopro, c.i.a., aí corpos
Ar, boca, cobra
Ego? Falácias, sai, cala, foge.

“és só?”,
Telefone neva veneno, fel e tosse
O cigarro breve
É verborrágico
“saúde, amai ó jibóia má,
Amai ó bi-jóia, má, e duas”,
A citar comédia:“ai”,
Democrática,
“é traído odiar-te” (2x)

7. Arapuca - (Manu Lafer)
Decora cantando na chuva
Trabalha no chão do chuveiro
Tem gata no teto e na tuba
Da boca botando trombone

Teu nome que não é de hoje
Que ensaia e que já toma posse
Da pose e do close da dose
De mais uma nota de osmose

Teu nome que dança quadrilha
Que anima, esmerilha e socorre
Da pose e do close da dose
De mais uma nota de osmose

Assim, não se afoba e não mexe
O rabo do gato te envolve
O pé te formiga e agora?
A luz some com microfone

Na voz de glicose
Que brinca na ducha de brinco e lá vém
A conta de água gaúcha lá vém
Ela é mais ela é mais uma
A glória da banda que estoura
A banda dissolve e resolve
Se manda no fim da semana

Tem arapuca na sapucaí
Tolera a pulga dessa culpa aí (2x)

8. Com Fantasia - (Manu Lafer)
Ele:
Fantasiar não é sonhar
Já sonhar
É a noite acabando
Não é pra crer,
Nem é pra ter
Faça tudo agora
Para mim,
Na madrugada,
Sem porquê
Você vai acontecer
Eu não quero amanhecer
Porque eu te quero
E nada mais

Ela:
Você
Por quê me quis?
Destino?
Vida?
Fala!
Você vai jurar
Deixar de sonhar
Não é você.
Só nós dois
Sabemos
O que nos fazemos
Para a madrugada
Acordar mais tarde

9. Martha - (Manu Lafer)
Eu trago seus olhos na minha cabeça
Eu trago seus olhos na minha cabeça
Que nem fantasia, bonita, apareça
Adoro ouvir você falar
Por cima do salto e atrás do balcão
Essa mulher é um avião
Você era aeromoça, você era enfermeira
Você era ascensorista, você era dançarina
Martha, você é tanta coisa pra mim
Martha, você me mata

Eu trago seus olhos na minha cabeça
Eu trago seus olhos na minha cabeça
Que nem fantasia, bonita, apareça
Adoro ouvir você falar
Por cima do gloss e atrás do batom
Que trabalhou de sol a sol
Vi você toda de branco, vi você toda de preto
Mas você sem cor nenhuma poderia ser modelo
Martha, você é tanta coisa pra mim
Martha, você maltrata

10. Me, Myself and I - (I Gordon, A Roberts, A Kaufman)
Me, myself and i
Are all in love with you
We just think you’re wonderful, we do
Me, myself and i
Have all a point of view
We just think there’s nothing else like you

It can’t be denied
You’ve brought the sun to us
We’d be satisfied, dear
If you’d belong to one of us

If you pass me by
Three hearts will break in two
For me, myself and i
Are all in love with you

11. Amigo de Garfo - (Manu Lafer)
Se o sua morada não fosse do bruno
Se a danada da yvone não soubesse cozinhar
Se o mati não soubesse latir
E se você não soubesse cantar
Você acha que eu vinha te visitar? (2x)

Traz o garfo e o prato,
Traz os sambas do caco
Faz um filé de bule pra nos acompanhar
E agora rebola esse queixo
Rebola que eu deixo você rebolar (2x)

12. Sem Letra - (Manu Lafer)
Vai, sem letra, vai
Vai, sem medo, vai
Vai, que eu te amo, vai
Vai cantar haicai
13. Física - (Manu Lafer)
Uma de nós é você
Em nós dois somos um
Outra, uma
Uma, um
Tempo de encontro
Sem nó e sem ponto
E sem outra que outro não possa
No ponto do tempo
No tempo do ponto
Ao contrário encontrar
Ao contrário, encontrar
Ao contrário, encontrar

Uma das suas sou eu
Em nós dois somos um
Outra, uma
Uma, um
Tempo do junto
Num voz, noutro assunto
No tudo do junto
Nem voz, nem assunto
No pronto do junto
No junto do pronto
Abraçava abraçar
Abraçava, abraçar
Abraçava, abraçar
Abraçava, abraçar

Dois corpos
Podem ocupar
Tempo e lugar
Vem cá desafiar
As leis da física

14. Bustrofédon (crime e amor do padre gordo bêbado e da portuguesa sarada) - (Manu Lafer com Luiz Tatit)
Sacarose é mulher: a interessam a duplo!
Par, a carta, o mongo, o caso, arrota sopa.
“aí! Decide, potro: a ti, miojo novo!”
Ácido: “é tímida?! Má! Purga aí você, moça!”
Raro o dá gelo, alucina cá
“avoado ajo? Gamo? Ótimo!”
Ia colar?
A musa da luza a ter parece o azar,
À buceta só dá babacas
Ato carne, telogo, a cagada
“a gordo goro, ele padreh , o demo da maçã!”
A do barriga :
“ardem só tapas rezar-te”
“a ti dure a nula abóbora , fé à penca!”
“a dá-la os nós, me aperto, o luto roça! Ar!
Gaivota! Retroceder a mil, o turbo!”
Rola colo? Ré.
“animal! É tatibitate!”
“reviver ôca boca, lábio, e tomar-te!”
E logo o mote: “amar, gana? Amargor porém”
“só? Nem? Ah…darás!!

Missa é em latim, e rala declama
Reverta o réu que eu quero atrever
A mal ceda lá, ré, mi, tal me é assim
Saradha ? Menos, mero programa…”
(anagrama)
“e tomo o gole e tramo-te:
Oi! Balacobaco reviver! “é tatibitate”?!
Lâmina! É rolo ? Calor!”
O bruto! Lima! Rede! Corte!
“rato!”
“viagra! Aço!”
Rótulo: “o trepa em sonso/alada”
“acne, pá! É faro, boba aluna erudita!”
E trazer sapatos medra agir
Rabo dá.
A cama do medo herda pele,
O “rogo droga”,
Adaga cá, o gole, tenra cota
Saca babados até cuba razão
E, cera preta, azulada, suma ralo
Cai o mito!
O mago, já o da ova, a canícula,
O legado, orar, a começo via.
Agrupam, adimite-o dica: “ovo, nojo!”
Imita ortopedice
Dia após, a torra o saco o gnomo,
Atraca rã polpuda.
Mas ser etnia, rehlume , e só raças.

Onde encontrar

Tratore Amazon Deezer Play-Store ITunes Spotify

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